Sinopse

TRABALHOS DE CASA

Os bailarinos da CNB, Xavier Carmo/Henriett Ventura e Miguel Ramalho, estrearam as suas novas criações no primeiro programa que a Companhia apresentou no período pós-confinamento, em julho no Millennium Festival ao Largo. Fizeram-no num contexto particular, com condicionamentos não habituais e incorporando novas regras que então ditaram as próprias criações.

Transpostas agora para o palco do Teatro Camões, estas criações são apresentadas no âmbito do programa Trabalhos de Casa – um espaço que a CNB oferece a criações dos seus bailarinos que manifestam interesse em desenvolver trabalho coreográfico.

Juntamos a este trabalho “de dentro”, o olhar de Paul E. Visser que, no filme Bow, acompanha o regresso dos bailarinos às suas (novas) rotinas.

 


ALGO_RITMO

 O que torna um individuo num ser único?

Não há duas impressões digitais iguais, mas todos as temos.

Não há duas retinas oculares iguais, mas todos as temos.

Não há dois umbigos iguais, mas todos os temos.

Não há dois A.D.N. iguais, mas todos os temos.

Não há corpos iguais, mas todos os temos.

No espaço – tempo em que o individuo se expressa e existe ele é ÚNICO, mas faz parte da HUMANIDADE.

Em algo_ritmo, procuramos uma imersão num espaço que não é espaço, num tempo que não é tempo, senão aqueles que lhes quisermos atribuir, e em que o interprete nele se imprime como ser único e singular, dentro do colectivo que o rodeia.

A fórmula de Fibonacci serve de inspiração para este trabalho.

A sua sequência tida por muitos matemáticos como a “impressão divina”, ou a prova de uma inteligência superior, de um grande arquiteto sobre o mundo natural, será o motor para uma outra busca, a de uma impressão Humana.

O propósito deste trabalho centra-se na busca de uma impressão própria e singular, única ao individuo (intérprete) e sua repercussão física sobre a cena, vista como algo irreproduzível no espaço-tempo, e na pluralidade em que ele se insere.

Ninguém foi ou será alguma vez como ele, terá vivido como ele. terá as memórias que ele teve, imaginou o que ele imaginou ou sentido como ele sentiu.

Acima de tudo e do “todo”, vivemos num mundo globalizado onde 7 biliões de seres humanos co-habitam numa esfera cada vez mais pequena, e onde a necessidade do individuo se ver como único, nunca foi tão presente.

 

Xavier Carmo/Henriett Ventura

Julho 2020


Bow

Filme

Em coprodução com a RTP

 

O título do filme está ligado ao movimento de reverência ou agradecimento, que acontece no final de qualquer espetáculo. Nestes tempos de luta, o filme conta a história da Companhia Nacional de Bailado na sua passagem pela COVID 19. Bow surge como uma reação ao momento que vivemos e pode ter vários significados: por um lado sermos humildes para com os tempos atuais, estarmos gratos por estarmos vivos e saudáveis e por outro lado, a derrota por não termos a capacidade de nos tocar e trabalhar em todo o seu potencial. No final de contas, trata-se de uma dualidade constante – possibilidades e limitações – e chegar a um acordo com ela, ceder a esta situação e aceitá-la pelo que é e, portanto, fazer-lhe uma reverência final.

Paul E. Visser

Junho 2020


SYMPHONY OF SORROWS

“ Um leve toque sobre as nossas sensações à margem da realidade humana. Os nossos corpos formam um organismo que vislumbra a imagem do que temos no subconsciente. Um universo dentro de cada corpo tornado música. Como se conseguíssemos ver cada nuance musical enquanto vivemos pequenos momentos que nos são fortemente familiares. “

Miguel Ramalho

Julho 2020

Ficha Técnica

Algo_Ritmo
Xavier Carmo e Henriett Ventura Coreografia
César VianaMúsica Original e Interpretação
Sara RossComposição Musical
Cristina PiedadeDesenho de Luz
Companhia Nacional de BailadoProdução
Bow
Paul E. VisserRealização e Direção
Tiago PerestreloComposição Música Original
Companhia Nacional de Bailado e RTPCoprodução
Symphony of Sorrows
Miguel Ramalho Coreografia e Figurinos
Henryk Gorecki - Symphony No.3, Op.36 "Symphony of sorrowful songs"Música
Cristina PiedadeDesenho de Luz

Elencos

Algo_Ritmo
Anyah Siddall, Inês Moura, Patricia Main, Shiori Midorikawa, Tatiana GrenkovaInterpretes e cocriadores
Bow
Companhia Nacional de BailadoInterpretação
Symphony of Sorrows
Bailarinos CNBInterpretação