Olga Roriz vai levar "Nortada" para a CNB | Jornal de Notícias
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Ana Vitória
Espectáculos de Olga Roriz, do Grupo Dançando com a Diferença e da Companhia de Bailado Contemporâneo integram o ciclo "CNB convida", que a Companhia Nacional de Bailado inicia amanhã no Teatro Camões, em Lisboa.
A primeira convidada deste ciclo, a Companhia Olga Roriz, apresenta-se amanhã, sexta e sábado, sempre às 21 horas, com "Nortada", cuja estreia absoluta aconteceu em Junho deste ano, em Viana do Castelo.
"Este é um espectáculo sobre as memórias da minha terra onde nunca vivi, mas da qual guardo os mais fortes momentos da infância e da adolescência. "Nortada" situa-se num lugar invadido de nostalgia, de saudade, de intimidade", diz, a propósito, a coreógrafa Olga Roriz.
O cenário desta nova criação está, ao longo de toda a peça, deliberadamente concentrado na sala de jantar. "Tudo nasce e se desenvolve a partir de uma refeição", acrescenta Olga Roriz.
"Este espectáculo não teria sido possível sem o dedicado trabalho de observação e a capacidade de análise dos meus bailarinos perante um tão complexo e delicado projecto", reconhece ainda a coreógrafa.
O ciclo "CNB convida" prossegue depois, em Novembro, dias 6 e 7, com "Levanta os braços como antenas para o céu", e "Beautiful people" que Clara Andermat e Rui Horta, respectivamente, criaram para o Grupo Dançando com a Diferença.
Para a concepção da primeira peça, a coreógrafa explica que teve como objectivo "fugir ao padrão do ser funcional dos 20 aos 50" e que, como tal, se esforçou por "trabalhar com corpos sem esconder as suas diferenças e dificuldades".
"Quis desmanchar o medo e confrontar os limites, os deles e os meus. É como pegar numa equação e mudar-lhe o sinal. É descobrir o ponto de cruzamento que existe entre tudo e todos. É perceber melhor o espectáculo inteiro do Mundo", explica. Por seu turno, a proposta "Beautiful people" , que Rui Horta concebeu também para o Grupo Dançando com a Diferença, pretende ser "uma reflexão sobre até que ponto estamos preparados para aceitar os desejos dos outros corpos".
O ciclo encerra, nos dias 12, 13 e 14 de Novembro, com a apresentação da coreografia "Amaramália", que o actual director da CNB, Vasco Wellenkamp, criou em 2004 para a sua Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo (CPBC).
O espectáculo tem por objectivo homenagear Amália Rodrigues nas comemorações dos dez anos sobre a sua morte.
"Este meu fado será, sobretudo, uma homenagem à voz que o tornou universal: a voz de Amália que se fez lamento, dor e pranto do nosso povo", explica Vasco Wellenkamp. Este trabalho conta com a música original de Carlos Zíngaro, que convive com alguns dos fados mais emblemáticos cantados por Amália Rodrigues.
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