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ROMEU E JULIETA
UM AMOR SOB A BATUTA DE
JOANA CARNEIRO

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Nas traseiras no Teatro S. Carlos, lemos a tabuleta: “Entrada de Artistas”. Não o somos, mas passamos a porta à descoberta. Lá dentro, uns dez miúdos fazem saltos elegantes e piruetas, entre tolices de adolescentes e risinhos. Subimos as escadas e pedem-nos para entrar numa das salas. A maestrina Joana Carneiro está sentada na poltrona em frente à mesa pesada, onde descansam a batuta e a partitura com centenas de páginas amarelecidas: Serguei Prokofiev é o autor.

Joana Carneiro, directora Musical da Sinfónica de Berkeley, recebeu o convite da Companhia Nacional de Bailado (CNB) e vai dirigir a Orquestra Sinfónica Portuguesa para o bailado “Romeu e Julieta”, a estrear no sábado no Teatro S. Carlos, em Lisboa. “É a primeira vez que faço um bailado ao vivo”, começa por dizer. “Já dirigi partes do ‘Romeu e Julieta’ de Prokofiev, mas é a primeira vez que o vou fazer na íntegra. É um desafio, porque é uma partitura complexa”, conta a maestrina.

É também a primeira vez que Joana Carneiro trabalha com os bailarinos da CNB e explica o que há de novo. “A peça ser dançada é diferente. Quando se trata de uma ópera, muitas vezes nem precisa de ser encenada.” Não é o caso deste espectáculo que exigiu, numa primeira fase que bailarinos e orquestra ensaiassem separados, para depois se juntarem e começarem a acertar ritmos. “Correu bem, é um trabalho demorado porque temos de encontrar os tempos certos e a forma de estarmos em consonância.”

O bailarino da CNB, Miguel Ramalho, com quem conversámos, desta vez na sala principal, concorda com Joana. Mesmo assim acrescenta: “O primeiro ensaio de palco nunca corre muito bem e hoje, surpreendemente, correu. Costumamos ter mais mais dificuldades e hoje foi muito produtivo.”

Não é a primeira vez que a companhia leva o “Romeu e Julieta” a palco, e Miguel integrou o elenco anterior. Mas desligar a música gravada e ensaiar com uma orquestra dirigida por Joana Carneiro é outro incentivo. “Ela tem uma genica muito importante para nós. A forma como a passa para os músicos, parece que nos chega. Além de dirigir uma orquestra ela tem capacidade de transmitir emoções”, diz o bailarino.

Natal Assim como Joana Carneiro, Miguel Ramalho acredita que a época natalícia é uma boa altura para fazer o “Romeu e Julieta”. “É um bailado especial, que exige muita técnica e o público gosta de ver isso. Mas é um espectáculo que faz sentido em qualquer altura do ano.” Na sala, a opinião da maestrina é mais colorida: “É uma história de amor, com muita emoção musical. Algumas destas melodias fazem parte do nosso imaginário e trazem um lado mágico da vida. Um lado impossível e fatídico, mas romântico.”

Em palco vão estar cinco bailarinos fundamentais: Romeu, Julieta, Mercúcio (papel de Miguel Ramalho), Benvólio e Tebaldo – as personagens que fazem com que a história de William Shakespeare se desdobre. Mas há mais. “Temos outros bailarinos, como os alunos da Escola de Dança do Conservatório Nacional. Lembro-me de estudar e ter tido este tipo oportunidades e foi muito importante. Ficava muito entusiasmado.” O bailarino acaba a frase e à nossa memória chegam os miúdos da entrada do teatro e as piruetas intervaladas com os risinhos. Talvez os mesmo que vamos reencontrar no São Carlos a sofrer com o trágico destino de Romeu e Julieta.

Teatro São Carlos, Lisboa.

De 10 a 22 Dez. às 21h;

11 e 18 Dez. às 16h;

De 15€ a 35€



Texto Maria Catarina Nunes
Imagem Patrícia de Melo Moreira


























































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