Pague um e veja três. As novas criações da CNB
Jornal i
Vanda Marques
 Foto: Ricardo Brito
A poesia é a inspiração de Vasco
Wellenkamp, Rui Lopes Graça homenageia Vera Castro e Marco Cantalupo
fala do excesso de formalidade. No Teatro Camões, em Lisboa, até domingo
1. "A chuva cai na poeira como no poema", De Vasco Wellenkamp Duração: 45 minutos
Inspiração: "Quis fazer uma obra sobre as diversas linhas do meu trabalho. É quase como se abrisse uma gaveta e tirasse de lá coisas dispersas destes 35 anos de trabalho. Escolhi poemas e fui associando música. É a minha primeira obra de fundo desde que assumi o lugar de director artístico da Companhia Nacional de Bailado [CNB], há três anos. Como coreógrafo, não posso ter apenas um papel administrativo", explica Vasco Wellenkamp. A ideia para este espectáculo partiu do director que deu total liberdade aos coreógrafos. "Queria uma multiplicidade de linguagens. Por coincidência, todos usamos cadeiras. É um objecto que permite imensos estados de espírito e tem um lado estético interessante."
Mensagem: "A poesia é a beleza. E o bailado tem um trabalho muito marcado pelo ambiente poético. Durante o espectáculo, o actor Diogo Dória lê alguns poemas, de autores como Eugénio de Andrade, Luísa Jorge Neto, Mário Cesariny ou Herberto Hélder, ao vivo e há outros que estão gravados."
Ensaios: Começaram em Novembro com os seis bailarinos, mas foram interrompidos por outros espectáculos.
2. "Light", de Katarzyna Gdaniec e Marco Cantalupo Duração: 40 minutos
Inspiração: "Na nossa sociedade, os movimentos tornaram-se muito formais, apesar de fingirmos que somos livres. Mas essa liberdade é só para satisfazer a necessidade consumista. Perdemos a relação com as nossas raízes. Desde sempre, a dança foi influenciada pela forma como trabalhávamos. Quem trabalhava no mar tinha uma forma de se mexer diferente de quem trabalhava na terra, mas hoje parece tudo igual", conta Marco Cantalupo.
Mensagem: "Gostava que as pessoas sentissem a necessidade de quebrar com as formalidades nos movimentos e regressassem a uma forma mais natural de estar. Os bailarinos aqui são pessoas normais a fazer coisas excepcionais."
Ensaios: Há um mês e meio começaram os ensaios com os sete bailarinos.
3. "Requiem", de Rui Lopes Graça Duração: 10 minutos
Inspiração: "Este bailado é uma homenagem a Vera Castro, uma grande figurinista que morreu há um mês e meio. Trabalhei muitos anos com ela e senti a necessidade de lhe dedicar este bailado. É a expressão da minha gratidão. Durante o espectáculo, os bailarinos têm muitos movimentos com as mãos no ar, como se quisessem sentir, com o toque dos dedos, a presença dessa pessoa", diz o coreógrafo.
Mensagem: "Quero transmitir esperança e gratidão. A minha postura perante a vida e a morte é apaziguadora. Já perdi um irmão e o meu pai, mas acredito que nunca deixamos de sentir a presença dessas pessoas", explica Rui Lopes Graça.
Ensaios: Os cinco bailarinos e o coreógrafo ensaiaram durante um mês.
Teatro Camões, Lisboa. Até 28 de Março; Sexta às 21h; Sáb. às 16h e 21h e Dom. às 16h. Bilhetes de 5€ a 20€

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