CARNAVAL


CARNAVAL
UMA FANTASIA A PARTIR DE O CARNAVAL DOS ANIMAIS DE CAMILLE SAINT-SAËNS

Victor Hugo Pontes coreografia e direção · Camille Saint-Saëns, Sérgio Azevedo, Carlos Caires, Eurico Carrapatoso, Andreia Pinto Correia, Nuno Corte-Real, Pedro Faria Gomes, Mário Laginha, João Madureira, Carlos Marecos, Daniel Schvetz, Luís Tinoco e António Pinho Vargas música · F. Ribeiro cenografia · Aleksandar Protic figurinos com tratamento de imagem por Marco Arantes  ·  Wilma Moutinho desenho de luz · Cesário Costa consultor musical · Marco da Silva Ferreira assistente do coreógrafo  

Artistas da Companhia Nacional de Bailado

Orquestra Sinfónica Portuguesa
Cesário Costa direção musical



Uma raposa que tinha brincado com outra
no quintal da casa da mãe
às fábulas de La Fontaine antes de as ter lido
e que depois as leu e disse
as fábulas de La Fontaine tinham razão!
ficou com muita vontade de ir para a floresta
brincar a sério às fábulas de La Fontaine
à entrada da floresta estava uma raposa
a raposa perguntou isto é uma floresta
a sério ou a fingir?
a raposa da entrada da floresta
achou a pergunta tão ingénua
que achou que não valia a pena
estar a explicar à outra
que ali ou se come ou se é comido
e que para quem come como para quem é comido
saber se ali é uma floresta a sério ou a fingir
não é uma questão pertinente
isto aqui é uma casa particular
respondeu a raposa
e bocejou

Adília Lopes,
in Os 5 livros de versos salvaram o tio, 1991.
Dobra – Poesia Reunida 1983-2014



Carnaval
será construído a partir de Carnaval dos Animais, composto em 1886 por Camille Saint-Saëns (1835-1921). Uma das peculiaridades desta obra é o facto de se apropriar de peças de outros compositores e de peças anteriores do mesmo autor, as quais são revisitadas num tom parodístico e mascaradas com nomes de animais. Ora, apesar de truncar o título original de Saint-Saëns, Carnaval recorrerá a uma técnica idêntica, ainda que inversa, de composição: vários compositores contemporâneos, portugueses, irão compor um tema original associado aos catorze movimentos musicais de Carnaval dos Animais. Para tal, serão desafiados a aplicar uma outra técnica artística, cujo apogeu e fama datam do século XX europeu, e que foi prolífera em inspirar várias outras correntes artísticas: o cadavre-exquis. Ou seja, em Carnaval, cada um dos compositores convidados iniciará a sua composição no final do tema anterior, levando-a até ao tema seguinte.

À parte das questões mais especificamente técnicas – que dizem respeito à composição musical, à articulação de conceitos dentro de e entre cada movimento, à sintonia e ao contraste entre cada compositor convidado –, há um conjunto de outros tópicos que pretendemos trabalhar em Carnaval. Por um lado, coloca-se inevitavelmente a questão do significado simbólico – quer cristão, quer pagão – do Carnaval, e todas as outras problemáticas culturais e filosóficas que gravitam em torno do símbolo.

No Carnaval, enquanto manifestação burlesca, há uma clara aproximação às questões mais fundamentais colocadas pelo teatro e pela dança, por exemplo – a máscara, a mentira, o fingimento, a peripécia, a cumplicidade da assistência naquilo que todos sabem ser um jogo. A oscilação entre realidade e farsa é de resto o que sustenta quer um gesto artístico quer um disfarce carnavalesco. Ou, por outro lado, a existência de uma personagem ou de um ser mitológico.

É também por isto que Carnaval será povoado por seres imaginários – sereias, a fénix, o fauno –, que no palco terão a mesma dimensão ontológica que os animais da natureza.

O Carnaval cristão adquire todo um outro significado, e está profundamente enraizado na cultura ocidental, e embora as tradições tenham vindo a perder-se ao longo do tempo. Aqui, já estamos a falar de sacrifício, de abstinência, de jejum, de rituais para celebração da vida terrena, mundana, numa progressiva aproximação à morte, evocada a partir da Quarta-Feira de Cinzas e até ao Domingo da Ressurreição.

A ritualização da celebração da vida e da aceitação da morte acaba então por constituir um aspeto fascinante da cultura cristã. Os animais, as máscaras e a morte – não necessariamente por esta ordem – serão assim os tópicos fundamentais deste Carnaval, que não deixará de colher inspiração num poema de Adília Lopes.

Victor Hugo Pontes
maio 2015



ESTREIA MUNDIAL



LOCAL e DATAS
Lisboa, Teatro Camões

2016

JUNHO
16, 17, 18, 23, 24 e 25 às 21h
19 e 26 às 16h

BILHETES · 5€ a 30€ · COMPRAR

ESCOLAS
22 de junho às 15h

Espetáculos para escolas
Escolas: 3€ / Professores*: 0€
*2 professores por turma



Classificação etária
M/6

Duração
1h25min. (aproximadamente) 




ENSAIO GERAL SOLIDÁRIO
15 de junho às 21h [...]



PROJETOS DE APROXIMAÇÃO À DANÇA (PAD)
18, 19 e 20 de maio
das 14h às 17h
(Teatro Camões)



BIBLIOTECA DIGITAL

CARTAZ · POSTAL · PROGRAMA (versão ISSUU | versão PDF)

VÍDEO
TEASER · GRANDE ECRÃ · SPOT 

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LOCAL e DATAS
Porto, Teatro Municipal do Porto, Rivoli

2016

JULHO
1 às 21h30 e 2 às 19h00 [...]


PROJETOS DE APROXIMAÇÃO À DANÇA (PAD)
1 e 2 de julho
10h30 às 12h30
(Teatro Municipal do Porto, Rivoli) [...]