Sinopse

Vislumbres de 20 anos a fazer orquéstica no reverso das palavras
(uma lentidão que parece uma velocidade)

 

A Companhia Nacional de Bailado, o Maria Matos Teatro Municipal e o São Luiz Teatro Municipal juntam-se na apresentação do Ciclo Tânia Carvalho, que decorre entre janeiro e março de 2018. O ciclo reúne alguns dos espetáculos mais representativos desta coreógrafa portuguesa, realizados ao longo dos últimos 20 anos. Serão ainda apresentadas duas novas obras: S (criação para a CNB) e Um Saco e uma Pedra (peça de dança para ecrã).
Tânia Carvalho trabalha pela primeira vez com a CNB que, para além de produzir e apresentar uma nova criação, remonta duas peças da coreógrafa para o seu repertório: Olhos Caídos, de 2010, e A Tecedura do Caos, de 2014, ambas estreadas na Bienal de Dança de Lyon.


PROGRAMA 1


OLHOS CAÍDOS

peça para bailarino e sombra
2010

Nesta pequena peça, os dois bailarinos que a interpretam executam sequências coreográficas de uma precisão excepcional. Sequências que usam sobretudo os braços, onde gestos rápidos e acutilantes se combinam com movimentos lentos mas contínuos, conferindo um ritmo musical ao trabalho. Os intérpretes alternam continuamente entre estar de pé ou deitados no chão, criando uma amálgama de planos definidos por braços e torsos que parecem dobrar-se e desdobrar-se, como se se tratasse de personagens de origami.

Jesús R. Gamo
DANCE EUROPE, novembro 2010

 

S
2018

Em S podemos ver uma mistura de símbolos. Um contraste de formas. Um mesclado de estilos. Não de forma acutilante, mas aprazível, para que os contrastes entrem em harmonia.

Tânia Carvalho
setembro 2018


PROGRAMA 2

A TECEDURA DO CAOS
2014

O corpo da Odisseia de Homero, olhado como o objeto monumental que representa por princípio algumas das leis fundamentais da poesia épica, é o de um percurso infinito de regresso que conduz a um reencontro e, por fim, a uma espécie particular de redenção do seu herói. A sua forma escrita põe em cena a fusão de uma crença inabalável e dos obstáculos que se erguem à sua frente, de uma esperança confiante e da dor trazida pela espera angustiada da união final. A sua forma movente, em contrapartida, quer traduzir esta intimidade do anseio e da luta constantes num abismo que é forçado a tornar-se um caos vivo. (…) A possessão que se apodera dos corpos aumenta até ao limite do tumulto e da loucura, até que se dissolve de novo e cede, entrega-se ao seu próprio desaparecimento. É a pura reciprocidade da eclosão e do apaziguamento. Assim é a consciência perplexa e frenética da dança, mesmo quando procura esquivar-se à sua vocação divina: ela persegue ainda, como é dito algures na Odisseia, o ato de percutir, de bater com os pés faiscantes no solo sagrado – mas agora virado do avesso e posto fora de si.

Bruno Duarte
2014

Ficha Técnica

OLHOS CAÍDOS
TÂNIA CARVALHOCoreografia
DIOGO ALVIMMúsica: "Distância (Ocupação 3)"
ANATOL WASCHKEDesenho de luz
LUÍS GUERRAREMONTAGEM
ARTISTAS DA CNBInterpretação
S
TÂNIA CARVALHOCoreografia e Figurinos
DIOGO ALVIMMúsica
Rui VasconcelosDesenho para tela
MAFALDA OLIVEIRA e Tânia CarvalhoDesenho de luz
NUNO COELHO SILVADireção musical
ORQUESTRA SINFÓNICA PORTUGUESAInterpretação musical
ARTISTAS DA CNB Interpretação
A TECEDURA DO CAOS
Tânia Carvalho Coreografia e direção
Ulrich Estreich Música
Zeca Iglésias Desenho de luz
Jorge Santos Cenografia de luz
Marta CerqueiraRemontagem
Artistas da CNB Interpretação